quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Relatório Anual do Clima 2010

Em Portugal Continental, durante o ano de 2010, os valores médios das temperaturas máxima e mínima do ar foram superiores aos valores normais 1971-2000, em +0.33ºC e +0.14ºC respectivamente.

Durante o ano de 2010 os meses mais frios (Janeiro, Fevereiro, Março, Outubro, Novembro e Dezembro), registaram anomalias negativas da temperatura máxima, média e mínima do ar e os meses mais quentes (Abril a Setembro), registaram anomalias positivas da temperatura máxima, média e mínima do ar, em relação aos respectivos valores normais mensais (1971-2000).


No Arquipélago da Madeira o Funchal registou valores médios anuais da temperatura máxima, média e mínima do ar superiores aos das normais 1971-2000, com anomalias de +0.84ºC, +1.17ºC, +1.50ºC respectivamente. De salientar o número elevado de Noites Tropicais (temperatura mínima do ar superior a 20ºC), superior ao valor médio (1971-2000), nos meses de Julho, Agosto e Setembro.


No Arquipélago dos Açores, Ponta Delgada registou valores médios anuais da temperatura mínima e média do ar superiores aos das normais 1971-2000, em +0.92ºC e +0.39ºC, no entanto, o da temperatura máxima foi ligeiramente inferior (-0.14ºC).

No que se refere à precipitação, o ano de 2010 foi o mais chuvoso da última década (2001-2010), com 1063mm, o que supera em 20% o valor da normal 1971-2000, no continente, onde se destaca o mês de Março que registou o 3º valor mais alto de precipitação dos últimos 30 anos.


No Arquipélago da Madeira o Funchal registou um total de precipitação anual (1469 mm) muito superior ao valor normal 1971-2000, +868.20mm, sendo o maior valor anual ocorrido no Funchal desde 1865. Para este valor tão elevado contribuíram os valores de precipitação ocorridos no mês de Fevereiro, com 458.7mm (quase 6 vezes o valor médio).


No Arquipélago dos Açores, Ponta Delgada registou um total de precipitação anual (1476 mm) também muito superior ao valor normal 1971-2000, +504 mm.

Relativamente ao Clima Mundial, o ano de 2010 deverá ficar entre os 3 mais quentes desde 1850, ano de início dos registos climáticos consolidados, de acordo com a Organização Meteorológica Mundial (OMM).


O aquecimento foi muito significativo em África, algumas regiões da Ásia e do Ártico; as sub-regiões do Sara/Arábia, África Oriental, Ásia Central e Gronelândia/ Norte do Canadá (Árctico) registaram no período 2001-2010, temperaturas 1,2 a 1,4ºC acima do valor médio.

Apesar de 2010 se registar como um dos anos mais quentes, há regiões em que se observaram valores de temperatura média do ar abaixo da normal, tais como a Sibéria Ocidental e Central, na Rússia, regiões do Sudoeste da América do Sul, o interior da Austrália, Europa do Norte e Ocidental, Leste da China e o Sudeste dos Estados Unidos. Devido principalmente a estas temperaturas muito baixas observadas no Inverno, muito abaixo dos valores médios, foi mesmo o ano mais frio, desde 1996, no Norte da Europa e desde 1998 na região Norte da Ásia.

Pode consultar o Relatório Preliminar do Clima Mundial 2010 no link abaixo:

http://www.meteo.pt/export/sites/default/bin/docs/tecnicos/clima_2010_mundo_preliminar_OMM.pdf


Relatório Anual do Clima 2010 - versão preliminar (anexo)

Fonte: IM 05JAN2011

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Paisagem e Identidade Territorial



Os territórios rurais em Portugal manifestam fortes assimetrias, sendo que, o desenvolvimento equilibrado e sustentável desses espaços e dos seus habitantes requer a valorização dos diferentes territórios na base da diversificação da economia e da promoção dos recursos endógenos, da identidade territorial e da qualidade paisagística.
Este texto tem o intuito de contribuir para a reflexão nesta temática, demonstrando como uma aposta no valor da paisagem aliada à sua adequada e equilibrada protecção, gestão e ordenamento se converte num recurso importante no contexto social, cultural, ambiental e económico com vista a alcançar bons níveis de desenvolvimento rural.
Para tal à que considerar a paisagem como um recurso natural, equiparado aos recursos água, ar, solo, etc. Ao encararmos este conceito desta forma estará implícito a possibilidade de aproveitamento humano. Tendo isto em conta interessa perguntar: Qual o aproveitamento que o Homem pode extrair da paisagem? A resposta a esta questão é condicionada pelo enfoque ou pelos diferentes pontos de vista subjectivos da pessoa que responda. Por exemplo um pintor, um poeta, um cientista, um turista ou um camponês responderiam de forma distinta, embora, concordassem ambos que a paisagem é um recurso. No entanto, as paisagens rurais estão, cada vez mais, sujeitas a degradação e descaracterização.

A descaracterização da paisagem tem diversas origens, podendo ser directa ou indirecta. As directas são na sua grande maioria antrópicas, embora, em algumas ocasiões, também a própria Natureza a modifica as paisagens através de eventos naturais extremos. O Homem edifica, constrói infra-estruturas, destrói florestas, modifica culturas agrícolas etc. As indirectas, seguindo um exemplo característico, serão a erosão, fomentada por más práticas agrícolas e que com o tempo poderá degenerar em desertificação. Uma outra agressão indirecta à paisagem é despoletado pelo despovoamento dos territórios rurais que, dessa forma, dá origem à modificação do padrão de povoamento quer humano, quer natural. Poder-se-ia citar muitos mais exemplos embora quase todos sejam uma consequência do desenvolvimento económico e social desequilibrado.


A paisagem rural portuguesa, na sua diversidade e variedade de processos de transformação, reflecte um mundo rural em mudança, e no qual se levantam várias das questões. As diferentes regiões com desiguais combinações de potencialidades e ameaças, tal como manifestam um grande potencial de desenvolvimento assentes no binómio Paisagem e Identidade. Os processos em curso, aos vários níveis, levam a que se percam algumas das paisagens existentes, apesar do valor positivo que lhes possa ser atribuído, mas também a que se criem novas paisagens, que podem ter novos valores. E levam também a que se desenvolvam novas oportunidades para a sua gestão futura, tendo em conta as múltiplas funções que podem assegurar. Assim, os desafios à gestão futura da paisagem rural portuguesa são também desafios à investigação, que se deve inovadora e interdisciplinar.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Populações Autóctones: o que são?


As Nações Unidas utilizam, frequentemente, uma definição do relatório Martinez-Cobo (Sub-comissão sobre a prevenção da discriminação das minorias - 1986), que refere:


Comunidades, povos e nações autóctones são aquelas que, mantiveram uma continuidade histórica distinta das sociedades colonialistas que invadiram os seus territórios, ou parte deles. Hoje constituem sectores da sociedade pouco dominantes e estão decididos a preservar, manter e transmitir às gerações futuras as suas tradições ancestrais e a sua identidade étnica como a base para a sua existência enquanto povo. O seu modo de vida tem como objectivo a preservação dos padrões culturais, das instituições sociais e dos seus sistemas jurídicos.

Muitos povos autóctones estão a começar a reivindicar as suas posições relativamente à maneira como os seus territórios estão a ser geridos e explorados.


"Todos os povos têm o direito à livre determinação, em virtude desse direito, são livres de expressar as suas escolhas políticas, logrando alcançar livremente o desenvolvimento económico, social e cultural".

quarta-feira, 16 de julho de 2008

A antropização da Fonte da Telha como factor de desvalorização da paisagem


A Fonte da Telha é um território que abarca no seu perímetro uma série de constrangimentos que lhe conferem um excelente caso de estudo, no que concerne aos problemas de gestão e ordenamento da zona costeira.
Este território costeiro é caracterizado por uma componente biofísica de grande valor intrínseco, no entanto, toda a intervenção antrópica realizada teve um carácter descaracterizador e de génese ilegal, no qual os órgãos competentes não conseguiram dar respostas adequadas.
Actualmente, enquanto milhares de veraneantes continuam a usufruir das suas praias, os problemas de ordenamento continuam e até mesmo acentuam-se. A construção ilegal de habitações, o estacionamento desordenado e a desqualificação do espaço são problemas prementes que requerem uma cooperação de todas as instituições com competências na sua gestão. No entanto, parece existir um subterfúgio de responsabilidade, para resolver os problemas deste território.
Para ler o artigo completo veja no seguinte link:

domingo, 4 de maio de 2008

Num reino onde tudo é verde!!

Ainda nem aterrou no Aeroporto de Estocolmo e, sem saber, o turista já está a contribuir para um mundo melhor. Na hora de aterrar não sentirá nada de especial, mas a companhia aérea sueca garante que aqui as aterragens são "verdes". Ou seja, lançam menos poluição e gastam menos combustível. Com a tecnologia green landing, o avião aterra de forma mais suave e o ruído também é muito menor. Por cada viagem, poupam-se 500 quilos de CO e 20% do combustível.Esta é apenas uma das muitas tecnologias que a Suécia tem desenvolvido nos últimos anos com o objectivo de causar menos danos ao ambiente e promover a sustentabilidade. Preocupação essa perfeitamente interiorizada pelos suecos e que não carece de previsões catastróficas como as do aquecimento global para se traduzir em práticas diárias. Há décadas que os suecos se empenham arduamente na preservação do ambiente e na procura de soluções que lhe causem o menor impacto possível. Isto porque estão perfeitamente convencidos de que a sua acção faz a diferença.As práticas ambientais encaixam- -se na rotina de cada um e nem o turista que por aqui passa uns dias tem hipótese de lhes escapar. No aeroporto, na hora de apanhar um táxi, pode optar por uma viagem mais ecológica e seguir num dos muitos veículos limpos disponíveis na cidade. Carros eléctricos, híbridos ou movidos a biocombustíveis estão em franco crescimento na Suécia. Mas aqui os incentivos são grandes e o exemplo vem de cima: quem tem carro limpo não paga estacionamento e quase todos os membros do Estado circulam num.Mesmo com a discussão da sustentabilidade da produção de biocombustíveis na ordem do dia, agravada pela grave crise alimentar mundial, os suecos continuam a apostar nestes veículos, não ignorando a necessidade de investir numa segunda geração mais sustentada de biocombustíveis. Se a opção no táxi for verde, a entrada na cidade será gratuita. Caso contrário, o motorista pagará uma taxa ao passar por um dos 18 radares colocados nas entradas da capital. É assim há seis meses, a cada entrada e saída, desde que os suecos se pronun- ciaram, em referendo, a favor desta opção. A excepção é a noite, e durante o dia o valor varia consoante a hora, nunca excedendo os seis euros. Apesar de ainda não ser possível apurar as melhorias em termos de poluição, os resultados superaram as expectativas: o tráfego automóvel desceu 10 a 20% e mais 50 mil pessoas passaram a usar os transportes colectivos, explica a responsável ambiental do município. Para tornar mais eficaz esta opção, foram postos a circular mais 120 autocarros, a que se juntam os muitos eléctricos, a extensa rede de metro e as inúmeras ciclovias. Na hora de escolher o hotel, o turista pode optar por um que já tenha tradição ambiental. Na cadeia Scandic, os pequenos almoços podem ser 100% biológicos e o camarão foi retirado das ementas, para preservar a espécie. As garrafas de água foram abolidas e substituídas pela água da torneira. Nos quartos, muitos ecorooms construídos com materiais biodegradáveis, os caixotes exigem a separação do lixo e os ares condicionados só oscilam três graus centígrados. Mesmo que só cumpra estes requisitos por uns dias, o turista pode importar o conceito para o seu país. Este como tantos outros que fazem da Suécia um dos países ambientalmente mais avançados do mundo.

Diario de Noticias

Navio achado na Namíbia pode ser nau da rota das Índias

Um relatório sobre as notícias e as fotografias que inundaram a Internet a propósito de um navio antigo encontrado ao largo da costa da Namíbia, possivelmente português, foi entregue a semana passada ao vice-presidente do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (Igespar) do Ministério da Cultura.O autor do documento, arqueólogo especializado e chefe da divisão da arqueologia náutica e subaquática do Ministério da Cultura, Francisco Alves, assim o decidiu, porque considerou que "o Governo português deve estar habilitado a tomar as decisões que achar convenientes", revelou ao DN o responsável.É importante nesta altura acautelar a hipótese do navio ser português, garantindo que a peritagem feita no local possa ser acompanhada de especialistas nacionais. "Portugal ratificou a Convenção da Unesco em 2001 sobre a protecção do património cultural subaquático e, portanto, tem legitimidade para exigir as normas do estado da arte, das boas práticas e da ética aplicada a este tipo de bens. A grande arma do nosso País é pedir que os seus navios não sejam alvo de pilhagem". Francisco Alves coloca a hipótese do navio descoberto ser uma nau portuguesa que regressava da Índia. "Uma das moedas que vem nas fotografias foi investigada e comparada na numismática portuguesa. Concluiu-se que é posterior a Outubro de 1525, e seria pela cunhagem da moeda, do reinado de D. João III", assegura o arqueólogo subaquático, acrescentando que o naufrágio só poderia ter sido posterior a essa data.Hipótese de ser uma nauVários achados foram encontrados na zona marítima que entretanto foi posta sob vigilância para evitar a proximidade dos "caçadores de tesouros": duas mil presas de elefantes, lingotes de cobre e canhões de retrocarga e astrolábios. "O cobre servia para lastro dos navios. Já a especificidade dos canhões, carregados pela culatra, revela estarmos perante canhões portugueses típicos do século XVI. Ainda há muito para se saber sobre o navio, nomeadamente o país de bandeira, mas eu colocaria a hipótese de se tratar de uma nau que regressava da Índia".Se assim for a descoberta tem valor incalculável. "Seria excepcional estarmos perante uma carreira da Índia que está no âmago da Expansão Portuguesa", diz o responsável.Francisco Alves chama a atenção para o facto da equipa estrangeira que está a dar apoio na Namíbia não ser constituída por pessoas habilitadas e peritas em modelos específicos de arqueologia náutica".Por outro lado, o arqueólogo português percebeu, pelos comunicados da empresa prospectora de diamantes que fez a descoberta, que eles estão abertos à colaboração. Mas até ontem ao fim da tarde, segundo Eduardo Saraiva, porta-voz da Secretaria de Estado das Comunidades, "não houve qualquer contacto oficial com a embaixada portuguesa na África do Sul."Recorde-se que o achado foi feito por uma expedição de geólogos envolvida numa prospecção de diamantes na costa sudoeste da Namíbia que pertence a uma empresa sul-africana, De Beers, que possui uma joint-venture com o governo daquele país africano, através da Namdeb Diamond Corporation.A descoberta foi divulgada no passado dia 1. Em breve, de acordo com informações da De Beers, o governo namibiano, através do seu Conselho da Herança Nacional e os arqueólogos, darão uma conferência de imprensa.


Diário de Notícias
04-05-08

Urge a tomada de medidas para salvar o Montado!

Fórum ibérico quer legislação em defesa do montado. O fórum ibérico em defesa do montado apelou hoje aos governos português e espanhol para criarem legislação específica que inclua apoios aos produtores e reconheça as particularidades daquele ecossistema, que está a ser afectado por uma mortalidade «anormal».
«Se os governos português e espanhol não actuarem rapidamente e se não criarem legislação específica, o montado tem os dias contados e vai desaparecer», alertou o presidente do Fórum Para a Defesa e Conservação do Montado - ENCINAL, José Luis García-Palacios.
O responsável falava num colóquio de apresentação do fórum em Portugal e que se realizou hoje na Ovibeja, o maior certame agro-pecuário do Sul do país a decorrer até domingo, no Parque de Feiras e Exposições de Beja.
Segundo o presidente do fórum, Portugal e Espanha devem criar legislação específica que proteja e «reconheça a personalidade própria» do montado, «entendido como um ecossistema produtivo e não apenas como uma zona onde há azinheiras e sobreiros».«Em toda a bacia do Mediterrâneo há azinheiras e sobreiros, mas, só por si, não são montado. O montado é um ecossistema misto de exploração agropecuária e silvopastoril único e exclusivo na Península Ibérica», frisou.

Diário Digital